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Palavras de memória ou método fônico? Onde entram as palavras difíceis

O que são palavras frequentes, palavras de memória e palavras difíceis, como se encaixam no método fônico, as diferenças entre países e ideias para praticar.

Equipe editorial da Crayonbird11 min de leitura
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De tempos em tempos, aparece em casa uma lista de palavras para treinar. Alguns pais ouvem que são "palavras de memória", para decorar. Outros ouvem que são "palavras difíceis", para ensinar pelos sons. Se você já se perguntou qual abordagem está certa, e se ficar repetindo cartões ajuda ou atrapalha, não está sozinho. Este artigo explica o que são essas palavras, como elas se encaixam no método fônico, como a prática muda pelo mundo e como ajudar em casa sem desfazer o bom trabalho da escola.

Três nomes para listas que se sobrepõem

Parte da confusão vem de as mesmas palavras receberem nomes diferentes, e de o mesmo nome significar coisas diferentes.

Palavras frequentes são simplesmente as que mais aparecem nos livros. Em português: o, a, de, que, e, é, um, uma, não, eu, ele, ela, com, para. Um número pequeno dessas palavras forma uma grande parte de tudo o que a criança lê. É por isso que os professores se importam com elas.

Palavras difíceis são palavras comuns que não seguem o que a criança aprendeu sobre letras e sons até agora. Em inglês, esse grupo é enorme: the, said, was, you, one são exemplos clássicos, e o currículo nacional da Inglaterra as chama de common exception words. Em português, o grupo é bem menor, mas existe, como você vai ver abaixo.

Palavras de memória (as sight words do inglês) é o termo mais escorregadio. Algumas pessoas o usam para dizer "palavras para decorar inteiras" (muitas vezes a partir de listas longas). Os pesquisadores da leitura costumam usá-lo de outro jeito: qualquer palavra que o leitor reconhece na hora, sem precisar decifrar. Nesse sentido, cada palavra que você está lendo agora é uma palavra de memória para você, e você chegou lá principalmente decifrando cada uma algumas vezes, até ela fixar.

Esse segundo sentido é o importante. O objetivo não é decorar palavras pelo formato. É ler as palavras tantas vezes, e ligar suas letras e sons com tanta firmeza, que elas fiquem automáticas.

A maioria das "palavras de memória" pode ser lida juntando sons

Esta é a parte que surpreende muitos pais: boa parte das palavras das listas de palavras frequentes é totalmente regular. E o português, nesse ponto, ajuda muito mais do que o inglês.

Totalmente decifráveis Quase decifráveis, com uma parte difícil Realmente incomuns
a, um, eu, ela, mas, bola, mapa, lua, sala, fila, uva casa (o s entre vogais soa /z/), hora (o h não tem som), que (o qu soa /k/), você (o c antes de e soa /s/), girafa (o g antes de i soa /ʒ/), de, ele, pato (o e final soa como /i/ e o o final como /u/ em boa parte do Brasil), não (o ão é nasal) muito (falado com um som nasal que a escrita não mostra), táxi, próximo, exame (o x muda de som)

A primeira coluna não precisa de nenhum tratamento especial. Uma criança que conhece os sons das letras consegue ler ela, mas e bola juntando os sons, e deve fazer isso. Ensinar essas palavras como desenhos para decorar desperdiça o que a criança já sabe.

A coluna do meio é onde mora a maior parte das palavras "difíceis". Só uma parte é incomum. Em casa, o /k/ e os dois /a/ são perfeitamente regulares; só o s do meio é diferente. Então você ensina essa única parte estranha, e não a palavra inteira como uma figura. Com o tempo, muitas dessas partes viram regra conhecida: depois que a criança aprende que o s entre duas vogais soa /z/, casa, mesa e rosa deixam de ser difíceis.

A última coluna é pequena. São palavras que vale a pena simplesmente lembrar, e em português elas são poucas.

  • porco
  • galinha
  • ônibus
  • xícara
Porco, galinha, ônibus, xícara: palavras que a criança lê juntando sons, desde que já conheça o nh e o x do começo da palavra. Nada para decorar.

Como é feito na Inglaterra

Na Inglaterra, o Departamento de Educação espera que as escolas ensinem a ler pelo método fônico sintético sistemático (systematic synthetic phonics). As crianças aprendem os sons das letras numa ordem planejada e a juntá-los em palavras desde o começo do Reception (4 a 5 anos). As escolas escolhem um programa de uma lista validada pelo governo, e a expectativa é que o sigam de perto. O documento do governo inglês sobre o ensino da leitura (em inglês) detalha essa abordagem.

Dentro desse método, as palavras difíceis não são ignoradas. Elas são ensinadas numa ordem definida, poucas de cada vez, junto com os sons. Os professores costumam mostrar qual parte da palavra é regular e qual é "a parte difícil", e as crianças praticam ler e escrever essas palavras em sessões diárias curtas. Com o tempo, conforme aprendem mais grafias, algumas palavras deixam de ser difíceis.

No Year 1 (5 a 6 anos), as crianças inglesas fazem uma verificação curta de leitura fônica, lendo em voz alta uma lista de palavras reais e de palavras inventadas, de "alienígenas". As palavras inventadas existem justamente para ver se a criança consegue decifrar, em vez de depender de palavras decoradas.

Como é feito em outros lugares

As abordagens variam, e vale a pena ser justo com isso.

Nos Estados Unidos, os padrões Common Core para o kindergarten, usados em muitos estados, incluem ler "palavras frequentes comuns de memória" (os exemplos dados são the, of, to, you, she, my, is, are, do, does) ao lado de habilidades fônicas e de análise de palavras. Muitas salas de aula usaram listas publicadas de palavras frequentes. Nos últimos anos, muitos estados e distritos americanos passaram para um ensino mais estruturado, com o método fônico em primeiro lugar, e se espalhou a ideia de ensinar as palavras frequentes ligando suas letras e sons, as chamadas heart words ("palavras de coração").

Na Austrália, no Canadá, na Irlanda e em outros países de língua inglesa, a prática varia por região e por escola, com uma tendência geral para o método fônico explícito e sistemático.

Em línguas de escrita muito regular, como o espanhol, o italiano, o finlandês ou o indonésio, a questão das palavras difíceis quase não existe. Quando a criança conhece os sons das letras, consegue ler quase tudo. O português fica no meio do caminho: bem mais regular que o inglês para ler, um pouco menos que o espanhol ou o finlandês. Por isso, no Brasil, a conversa costuma ser menos sobre listas de palavras e mais sobre métodos: fônico, silábico ou abordagens mais globais. Cada rede e cada escola tem a sua proposta.

Em casas multilíngues (muito comuns na Nigéria, na Índia e em boa parte do mundo árabe, e também em famílias brasileiras que vivem fora), a criança pode estar aprendendo a ler em mais de uma língua, às vezes em mais de um alfabeto. Manter as abordagens claras e separadas para cada língua ajuda. Se seu filho aprende a ler em inglês, numa escola bilíngue por exemplo, as listas de sight words vão aparecer com força, e tudo o que se diz acima sobre a Inglaterra e os Estados Unidos vale para ele.

Seja qual for o sistema da escola do seu filho, siga o caminho dela em casa. Coerência importa mais do que saber qual lista é "a melhor".

Como ensinar uma palavra difícil em dois minutos

Aqui está uma rotina simples para uma palavra difícil nova, usando casa como exemplo.

Passo a passo

  1. Diga e use a palavra"Esta palavra é casa. 'A casa da vovó é azul.' Você consegue dizer uma frase com casa?"
  2. Separe os sonsAponte para cada parte: /k/ ... /a/ ... /z/ ... /a/. "Que letras estão fazendo cada som?"
  3. Encontre a parte difícil"O /k/ e os dois /a/ são do jeito que a gente espera. O /z/ aqui está escrito com s. Essa é a parte difícil." Desenhe um coraçãozinho em cima do s para mostrar que é a parte para guardar no coração.
  4. Leia de três jeitosSozinha, numa expressão curta ("a casa nova") e depois numa frase.
  5. EscrevaA criança escreve casa de memória, dizendo os sons enquanto escreve. Confiram juntos a parte difícil.

É isso. Volte à palavra rapidinho nos três ou quatro dias seguintes. Quando ela for lida na hora em vários dias diferentes, pode sair do monte de treino.

Por que decorar listas longas pelo formato dá errado

Listas longas de palavras aprendidas como desenhos inteiros podem parecer funcionar no começo. A criança decora 50 palavras e lê os primeiros livros com tranquilidade. Depois os livros ficam mais difíceis e a estratégia desmorona, porque ninguém consegue decorar milhares de palavras como figuras.

Sinais de alerta comuns:

  • Chutar pela primeira letra. Ler casa como carro ou cama, porque se parecem mais ou menos.
  • Chutar pela figura. Dizer pônei quando a palavra é cavalo, porque tem um desenho de um.
  • Empacar em palavras novas sem nenhum jeito de descobri-las.
  • Escrita que não segue os sons, como letras aleatórias em palavras que ela "sabe".

Se você notar esses sinais, conduza com delicadeza de volta para os sons. "Vamos conferir: olhe todas as letras. Que sons elas fazem?" Elogie a leitura cuidadosa, mesmo quando é lenta. A velocidade vem com a prática.

Os cartões não são o problema em si; o problema é o jeito de usar. Jogos curtos e alegres com cartões, com poucas palavras, em que a criança olha todas as letras, estão ótimos. Nosso guia sobre como usar flashcards do jeito certo fala mais sobre isso.

Atividades de sons e formação de palavras para imprimir

Ver mais na biblioteca

Ideias de prática que funcionam

Curto, frequente e variado: três ou quatro minutos por dia ganham de uma sessão longa por semana.

  1. Caça à palavra. Escolha uma palavra difícil e procurem por ela num livro ilustrado. Contem quantas vezes que aparece.
  2. Pá! Escreva cinco palavras atuais em bilhetes autoadesivos na parede. Diga uma; a criança dá um tapa nela com a mão ou com um mata-moscas.
  3. Escrita arco-íris. Escreva a palavra a lápis e depois cubra três vezes com cores diferentes, dizendo os sons a cada vez.
  4. Frases bobas. Inventem frases com duas ou três palavras difíceis: "O cachorro disse que hoje era um gato." Quanto mais boba, melhor.
  5. Botões de som. Embaixo de uma palavra, desenhe um ponto para cada som de uma letra só e um tracinho para cada som de duas letras. Em chuva: tracinho (ch), ponto (u), ponto (v), ponto (a). Depois leiam tocando cada botão.
  6. Livros de verdade. Os livrinhos de leitura da escola costumam usar só os sons e as palavras que a criança já aprendeu. Lê-los com orgulho, de novo e de novo, é um treino excelente.

Nossa coleção de palavras frequentes está organizada em grupos pequenos, numa ordem sensata, e o pacote Palavras Frequentes 1 reúne o primeiro grupo em jogos e pequenos treinos de leitura. Se seu filho ainda está firmando os sons básicos, comece pelo nosso guia sobre como ensinar os sons das letras em casa.

Ilustração: Um canto tranquilo e uma pilha de livros conhecidos: o melhor lugar para treinar palavras difíceis.
Um canto tranquilo e uma pilha de livros conhecidos: o melhor lugar para treinar palavras difíceis.

Juntando tudo em casa

Para a maioria das famílias, o equilíbrio fica assim. O método fônico faz o trabalho pesado: sons das letras, juntar sons para ler, separar sons para escrever. As palavras difíceis são um pequeno extra, ensinadas poucas de cada vez, com a parte difícil apontada, e não decoradas como desenhos. E muita leitura juntos, dos livrinhos da escola às histórias de dormir, dá a cada palavra a repetição de que ela precisa para ficar automática.

Quando seu filho estiver lendo palavras com segurança, o próximo passo é entender o que lê. Nosso artigo sobre estratégias de interpretação de texto continua a partir daí.

Pergunte à professora quais três palavras a turma está trabalhando nesta semana, escreva-as em bilhetes autoadesivos e brinquem de "Pá!" por dois minutos depois da escola. É um hábito pequeno e alegre que rende frutos por anos.

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Perguntas frequentes

Palavras de memória e palavras difíceis são a mesma coisa?

Não exatamente. Palavras frequentes são simplesmente as mais comuns nos textos. Palavras difíceis são palavras comuns cuja escrita não segue o que a criança aprendeu sobre letras e sons até aquele momento. "Palavras de memória" (sight words, em inglês) pode significar uma coisa ou outra, dependendo de quem usa o termo.

Meu filho deve decorar uma lista de palavras?

Ler palavras comuns com rapidez é útil, mas a maioria delas pode ser lida juntando sons. Ensine a criança a decifrar as partes regulares e a lembrar só da parte incomum, em vez de decorar a palavra inteira como um desenho.

Quantas palavras difíceis a criança deve aprender de cada vez?

Duas ou três de cada vez é bastante para crianças de quatro e cinco anos. Acrescente novas quando as atuais forem lidas na hora, em vários dias diferentes.

Por que a escola do meu filho não manda listas de palavras para decorar?

Muitas escolas ensinam as palavras comuns dentro do próprio programa de alfabetização, numa ordem definida, junto com os sons que as crianças estão aprendendo. Em português, a maior parte delas pode ser lida juntando sons. Pergunte à professora quais palavras estão sendo trabalhadas e pratique essas.

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Equipe editorial da Crayonbird

Redatores, ilustradores e educadores

Somos a pequena equipe que escreve, desenha e testa as atividades da Crayonbird. Experimentamos cada ideia com nossas próprias atividades, damos conselhos práticos e honestos sobre o que não funciona e indicamos fontes oficiais quando faz diferença. Nada neste blog é patrocinado.