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Dicas para professoresPara professores5–11 anos

Diferenciação pedagógica em turmas heterogêneas: guia prático

Diferenciação na prática para professores do Fundamental: um objetivo, fichas em três níveis, apoios que saem, grupos flexíveis e desafios com profundidade.

Equipe editorial da Crayonbird10 min de leitura
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Uma turma típica de trinta alunos tem crianças um ou dois anos à frente e crianças um ou dois anos atrás, além de todo mundo no meio. Ensinar para a média deixa as duas pontas de fora; planejar trinta aulas separadas é impossível. A diferenciação prática fica entre esses extremos: um objetivo de aprendizagem claro, alguns caminhos bem escolhidos até ele e apoios que vão saindo conforme as crianças ganham segurança. Veja como fazer isso com fichas comuns e sem triplicar o planejamento.

O que é diferenciação (e a versão que esgota o professor)

Diferenciar é ajustar a forma como as crianças chegam a um objetivo de aprendizagem para que mais delas cheguem lá. Não é:

  • Escrever um plano individual para cada aluno.
  • Dar conteúdo mais fácil para sempre a quem tem desempenho mais baixo, fazendo essas crianças ficarem cada vez mais para trás.
  • Classificar as crianças como aprendizes "visuais", "auditivos" e "cinestésicos". A ideia é popular, mas não há boas evidências de que adaptar o ensino a um suposto estilo de aprendizagem ajude as crianças a aprender.

A versão que esgota é aquela em que cada aula tem fichas em cinco níveis, com código de cores e plastificadas. Impressiona e é insustentável. A versão que funciona tem no máximo três níveis, usa os mesmos formatos semana após semana e concentra a maior parte do esforço na tarefa central.

Comece por um único objetivo de aprendizagem

Tudo começa com um objetivo único e claro, que a turma inteira persegue. Por exemplo:

  • Estamos aprendendo a somar números de dois algarismos quando é preciso reagrupar ("vai um").
  • Estamos aprendendo a encontrar no texto evidências que expliquem como um personagem se sente.

Escrever o objetivo impede que a diferenciação vire três aulas diferentes. Todas as crianças estão aprendendo a mesma coisa; o que muda é o apoio que recebem e até onde vão.

  • régua
  • lápis
  • caderno
  • lousa
  • livro
  • borracha
Mesmo objetivo, mesmas ferramentas, quantidades diferentes de apoio.

A ficha em três níveis: mesma habilidade, três caminhos

O recurso diferenciado mais simples é uma única folha (ou três folhas curtas) com a mesma habilidade em três níveis. Identifique os níveis com símbolos neutros, como círculo, triângulo e estrela, nunca "fácil, médio, difícil".

Aqui vai um exemplo de adição de dois algarismos com reagrupamento, por volta dos 7 ou 8 anos (Year 3 na Inglaterra, grade 2 nos EUA, mais ou menos 2º ou 3º ano do Ensino Fundamental no Brasil):

Nível Como é Exemplos de questões
Círculo (com apoio) Desenhos do material dourado e uma reta numérica impressos na folha; primeira questão já começada 23 + 14 (sem reagrupar, aquecimento), 27 + 15, 38 + 24
Triângulo (central) Sem desenhos; conta armada já montada 47 + 36, 58 + 25, 69 + 17
Estrela (desafio) Algarismos faltando e raciocínio 4_ + _7 = 82; encontre dois números que somem 91 e em que seja preciso reagrupar; 39 + 46 é o mesmo que 46 + 39? Explique

(A resposta dos algarismos faltando é 45 + 37.)

Repare que todo mundo faz reagrupamento. O nível círculo só dá mais apoio e um começo mais suave. A criança que acerta as três primeiras pode passar para o triângulo; quem está no triângulo e acha fácil pode fazer as questões da estrela.

O mesmo vale para língua portuguesa. Num texto curto sobre uma menina no primeiro dia numa escola nova:

  • Círculo: "Encontre e copie duas palavras que mostram que a Ana estava nervosa." Um banco de palavras de sentimentos vem impresso na lateral.
  • Triângulo: "Como você sabe que a Ana estava nervosa? Dê duas evidências."
  • Estrela: "A Ana estava mais nervosa no começo ou no fim do dia? Use evidências para explicar como os sentimentos dela mudaram."

Os três níveis pedem que a criança encontre evidências de sentimentos, então os três trabalham o objetivo. Nosso texto sobre estratégias de compreensão leitora tem mais tipos de pergunta que podem ser escalonados assim.

Fichas de adição para montar um conjunto em três níveis

Ver mais na biblioteca

Apoios que saem

Um apoio (ou "andaime") é uma ajuda que permite à criança fazer algo que ela ainda não consegue fazer sozinha. A palavra-chave é ainda. Bons apoios são pensados para ser retirados.

Apoios úteis:

  • Um exemplo resolvido no topo da folha, com cada passo à mostra.
  • Uma primeira questão já começada, para a criança ver como iniciar.
  • Retas numéricas, quadros de 100 e quadros de valor posicional em matemática.
  • Bancos de palavras e começos de frase para a escrita: "Eu acho que a Ana se sentiu… porque…"
  • Organizadores gráficos, como mapas da história, diagramas de Venn ou quadrinhos de "primeiro, depois, por último". O Kit de Organizadores Gráficos tem modelos prontos para a maioria das disciplinas.

Deixe os apoios disponíveis para todos, e não só para "a mesa do reforço". Coloque fichas de apoio num potinho em cada mesa. Quem precisa pega; quem não precisa, não pega. Isso evita rótulos e deixa a criança avaliar a própria necessidade, coisa em que ela costuma ser melhor do que imaginamos.

Depois, retire aos poucos. Se uma criança usou a reta numérica todos os dias na semana passada, nesta semana experimente a reta só na primeira questão. Retirar apoio de propósito faz parte da diferenciação tanto quanto acrescentar.

Agrupamentos que continuam flexíveis

Agrupar pode ajudar, mas é fácil errar a mão. As pesquisas são limitadas, e a revisão da Education Endowment Foundation sobre agrupamento por desempenho (em inglês) aponta que os alunos com desempenho mais baixo parecem ser os mais prejudicados por práticas de agrupamento, e que grupos flexíveis, que mudam conforme as necessidades das crianças, oferecem menos risco de alguém ficar preso num lugar.

Na prática:

  • Reagrupe com frequência. Monte os grupos pela unidade atual, não pelo nível do ano passado. A criança que tem dificuldade com frações pode voar em medidas.
  • Use uma checagem rápida para decidir. Um bilhete de saída com três questões no fim da aula mostra quem precisa de um momento em pequeno grupo amanhã.
  • Misture para conversar. Junte crianças de desempenhos diferentes em tarefas de discussão e grupos do mesmo nível para prática focada.
  • Evite rótulos fixos. Se um grupo se chama "Leões" o ano inteiro e todo mundo sabe que os Leões são os que têm mais dificuldade, o nome não esconde grande coisa.

Desafios para quem já está pronto

Para as crianças que chegam rápido ao objetivo, a resposta é profundidade, não mais do mesmo. Em vez de mais vinte contas, peça que elas:

  • expliquem ou provem a resposta de dois jeitos diferentes,
  • criem as próprias questões (com gabarito) para um colega,
  • encontrem um padrão ou uma regra ("Somar dois números ímpares sempre dá um número par?"),
  • apliquem a habilidade a um problema real ("Planeje uma festa para 28 crianças com um orçamento de 300 reais").

Nosso guia de atividades para quem termina antes traz um sistema completo para as crianças que terminam antes da turma.

Ilustração: Problemas reais fora da sala, como medir o pátio, são ótimos desafios extras.
Problemas reais fora da sala, como medir o pátio, são ótimos desafios extras.

O que dizer: uma linguagem que deixa os níveis discretos

O jeito de falar sobre os níveis importa tanto quanto os próprios níveis. As crianças percebem rapidinho quem está com "a folha fácil", e a forma como você apresenta as opções decide se isso vira rótulo.

Apresente os níveis como pontos de partida, não como ranking. "Hoje temos três lugares para começar. Coloquei um adesivo na sua folha mostrando onde eu começaria, mas você pode subir assim que estiver pronto."

Elogie quem avança, não quem está. "Você começou no círculo e já passou para o triângulo. Era exatamente isso que eu queria ver" funciona melhor do que elogiar quem está na estrela.

Deixe a criança escolher de vez em quando. "Escolha o nível que pareça um bom desafio: nem fácil demais, nem impossível." A maioria escolhe com bom senso, e você aprende muito com as que não escolhem.

Fale de esforço e estratégia. "O que te ajudou nessa?" ou "Que ferramenta você usou?" tira a conversa de quem é inteligente e leva para o que funciona.

Nunca anuncie os níveis em público. Nada de "o grupo da estrela já pode começar" lá da frente. Folhas nas mesas, ou uma palavrinha discreta, mantêm tudo reservado.

Quando uma criança disser "Essa é a folha de bebê", uma resposta tranquila ajuda: "É a folha que tem a reta numérica. Todo mundo está fazendo a mesma matemática. Vamos ver se você ainda vai precisar da reta na questão quatro."

Tornando possível: uma rotina de planejamento

O maior obstáculo à diferenciação é o tempo. Esta rotina mantém o trabalho em uns quinze minutos por aula.

Passo a passo

  1. Escreva o objetivo de aprendizagemUma frase, a mesma para a turma toda.
  2. Planeje primeiro a tarefa centralO nível triângulo. A maior parte do seu tempo vai aqui.
  3. Tire para criar a versão com apoioAcrescente um exemplo resolvido, um apoio ou números iniciais mais fáceis. Mantenha a mesma habilidade.
  4. Acrescente para criar a versão desafioUm problema com número faltando, um "prove" ou uma aplicação no mundo real.
  5. Defina a checagemUma questão de bilhete de saída que mostre quem chegou lá.
  6. Reaproveite os formatosO mesmo layout toda semana faz as crianças saberem o que fazer e você não precisa redesenhar nada.

Materiais prontos para imprimir ajudam muito. Você pode pegar uma ficha dos nossos materiais para a sala de aula, usá-la como nível central e adaptá-la para cima e para baixo em poucos minutos, em vez de escrever tudo do zero.

Confira se está funcionando

A diferenciação só serve se mais crianças chegarem ao objetivo. Algumas checagens rápidas:

  • Bilhetes de saída. Uma ou duas questões no fim da aula, no nível central. Separe em três montes: entendeu, quase lá, ainda não.
  • Movimento entre os níveis. Ao longo de algumas semanas, as crianças devem passar do círculo para o triângulo e do triângulo para a estrela. Se as mesmas crianças ficam sempre no círculo, o apoio não está saindo.
  • Olhe para o nível estrela. Se ninguém nunca chega lá, está difícil ou escondido demais. Se todo mundo chega, o nível central está fácil demais.

Na semana que vem, experimente uma ficha em três níveis numa disciplina. Mantenha o mesmo objetivo nos três níveis, coloque fichas de apoio em todas as mesas e use um bilhete de saída para decidir quem senta com você na mesa da professora no dia seguinte. Para mais ideias prontas para a sala de aula, visite a área dos professores.

Ver materiais para a sala de aula

Perguntas frequentes

Qual é o jeito mais fácil de diferenciar uma ficha de atividades?

Mantenha a mesma habilidade e faça três versões da prática - uma com apoio, como reta numérica ou banco de palavras, uma versão central e uma com um desafio que exija raciocínio. A criança sobe de nível quando estiver pronta.

É melhor agrupar os alunos por nível?

As pesquisas sobre agrupamento são limitadas e pouco conclusivas. Se agrupar por desempenho, mantenha os grupos flexíveis, mude-os com frequência e garanta que todos trabalhem conteúdos desafiadores, e não uma versão facilitada do currículo.

Como diferenciar sem planejar três aulas separadas?

Planeje primeiro uma aula para o nível central, depois tire algo para criar a versão com apoio e acrescente algo para criar a versão desafio. Repetir os mesmos formatos toda semana também reduz o tempo de planejamento.

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Equipe editorial da Crayonbird

Redatores, ilustradores e educadores

Somos a pequena equipe que escreve, desenha e testa as atividades da Crayonbird. Experimentamos cada ideia com nossas próprias atividades, damos conselhos práticos e honestos sobre o que não funciona e indicamos fontes oficiais quando faz diferença. Nada neste blog é patrocinado.