Como ensinar uma criança a desenhar: passos simples dos 4 aos 10 anos
Como ensinar uma criança a desenhar com formas simples e aulas passo a passo, o que dizer quando ela empaca e por que desenhar no lugar dela sai pela culatra.

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"Desenha um cavalo pra mim!" é um dos pedidos mais comuns que pais e mães recebem, e um dos mais difíceis de responder bem. Desenhe para a criança e amanhã ela vai pedir outro cavalo. Recuse e vem o choro. Existe um caminho do meio: ensinar a criança a enxergar as formas de que as coisas são feitas, dar a ela algumas vitórias rápidas e deixar a confiança crescer a partir daí. Veja como fazer isso, passo a passo.
Tudo é feito de formas
A ideia mais útil no desenho infantil é esta: quase tudo pode ser construído com um punhado de formas simples. Círculos, ovais, quadrados, retângulos, triângulos e linhas.
- Um gato é um círculo na cabeça, um oval no corpo e dois triângulos nas orelhas.
- Uma casa é um quadrado com um triângulo em cima, uma porta retangular e janelas quadradas.
- Um peixe é um corpo oval com um rabo triangular.
- Uma coruja é um grande formato de ovo, dois círculos grandes nos olhos e um triângulo pequeno no bico.
Quando a criança percebe isso, desenhar deixa de ser um talento misterioso e vira algo que ela consegue resolver. Pergunte "Que forma tem a cabeça?" e "Que forma as orelhas poderiam ter?" sempre que ela quiser desenhar algo novo. Você está ensinando a criança a olhar, e essa é a habilidade de verdade.
O que esperar em cada idade
O desenho infantil passa por fases reconhecíveis. Conhecê-las evita que você espere que uma criança de 5 anos desenhe como uma de 9, e ajuda a acertar o nível das aulas.
Por volta dos 3–4 anos: as primeiras pessoas. Aparecem os famosos "bonecos girino": um círculo grande como cabeça, com pernas e braços saindo direto dele. É um passo enorme: a criança agora está tentando representar alguma coisa. Dê nome e admire.
Por volta dos 4–7: símbolos e linha de base. A criança cria os próprios símbolos para as coisas (uma casa, uma árvore, o sol no cantinho) e os repete muitas vezes. Uma faixa de grama embaixo e uma faixa de céu em cima são comuns. Os desenhos contam histórias, e as pessoas podem ser maiores que as casas porque importam mais.
Por volta dos 7–9: mais detalhes, mais planejamento. A criança começa a se importar se as coisas "parecem certas". Acrescenta detalhes, tenta mostrar uma coisa na frente da outra e fica mais autocrítica.
A partir dos 9, mais ou menos: realismo. Muitas crianças agora querem que os desenhos pareçam reais, e é nessa hora que algumas desistem, porque o desenho não bate com o que veem na cabeça. Ensinar técnicas simples, como proporção, sombreado e observação, ajuda muito nesse momento.
As idades são aproximadas, e cada criança anda no seu ritmo. O objetivo não é apressar as fases, e sim apoiar a fase em que seu filho está.
Sua primeira aula, palavra por palavra
O desenho passo a passo funciona melhor quando você desenha junto com a criança, um passo de cada vez, no seu próprio papel. Não desenhe no papel dela. Veja como poderia soar uma primeira sessão, desenhando um gato.
Você: "Vamos desenhar um gato. Primeiro, um círculo para a cabeça. Não muito pequeno. O meu está do tamanho de um biscoito."
Você: "Agora dois triângulos em cima para as orelhas. Com as pontas para cima."
Criança: "As minhas ficaram tortas."
Você: "Orelha de gato muitas vezes é torta. Agora os dois olhos. Que formato você quer?"
Você: "Um oval grande embaixo da cabeça para o corpo. Depois uma linha comprida e curvinha para o rabo. O seu gato está com o rabo feliz ou com o rabo bravo?"
Você: "Último passo: os bigodes. Quantos você quer?"
Repare no que está acontecendo. Você dá uma instrução clara, mas deixa pequenas escolhas para a criança: o formato dos olhos, o rabo, a quantidade de bigodes. São essas escolhas que fazem o desenho ser dela.
Termine perguntando sobre o desenho, em vez de julgá-lo. "Qual é o nome do seu gato? Ele é bonzinho?" Depois deixe a criança pintar, criar um fundo ou desenhar um ratinho para o gato perseguir.
Um primeiro mês de aulas
Escolha temas que se apoiem uns nos outros. A lista abaixo começa com uma ou duas formas e vai acrescentando passos e escolhas aos poucos. Faça uma aula por sessão, duas vezes por semana, e repita as preferidas.
Semana 1: peixe e casa. O peixe tem duas formas. A casa acrescenta linhas retas e cantos. Incentive cores, padrões no peixe e uma porta aberta ou fechada.
Semana 2: gato e tartaruga. O gato traz as feições (olhos, orelhas, bigodes). A tartaruga é uma ótima aula de padrões no casco.
Semana 3: coruja e foguete. A coruja gira em torno de olhos grandes e expressivos. O foguete mistura uma forma alta com triângulos e janelas, e pede um céu cheio de estrelas.
Semana 4: escolha da criança. Pergunte o que ela gostaria de desenhar e decomponham juntos. "Um cavalo? Vamos pensar. Que forma tem o corpo do cavalo? Um oval, talvez bem comprido. E a cabeça?" Agora você está ensinando o método, e não o desenho.
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Por que desenhar no lugar da criança sai pela culatra
Parece gentil desenhar um cavalo quando a criança pede. E é. Mas, se virar hábito, passa uma mensagem clara: "Adulto sabe desenhar. Você não." A criança então compara o próprio trabalho com o seu e se sente pior.
Respostas melhores quando a criança pede para você desenhar alguma coisa:
- "Vamos desenhar juntos." Você desenha o seu cavalo no seu papel enquanto ela desenha o dela, um passo de cada vez.
- "Que forma isso tem?" Ajude a criança a decompor o objeto em vez de fazer por ela.
- "Me mostra onde vai." Com os bem pequenos, a criança diz onde ficam os olhos enquanto você guia.
- "Vamos procurar uma imagem para olhar." Olhem juntos a foto de um cavalo de verdade e apontem as formas.
Se às vezes você fizer um desenho só para ela (tudo bem, ninguém está proibindo), mantenha simples e meio rabiscado. Um desenho de adulto caprichado intimida. Um meio tremido diz "isso é algo que qualquer um consegue fazer".
O que dizer sobre os desenhos
As palavras que você usa sobre um desenho têm um efeito real na vontade da criança de continuar desenhando. O elogio genérico ("Lindo! Maravilhoso!") é gostoso de ouvir, mas logo perde o sentido, e algumas crianças passam a desenhar só para recebê-lo.
Experimente descrever o que você vê:
- "Você usou vários azuis diferentes no mar."
- "O rabo do seu cachorro está todo enroladinho."
- "Estou vendo que o gato está correndo atrás de alguma coisa. O que é?"
- "Você ficou um tempão trabalhando nisso."
E faça perguntas que convidem a contar histórias: "O que está acontecendo aqui?" "Quem mora nesta casa?" "Como está o tempo?" Muitas vezes a criança tem uma história inteira por trás do desenho que você nunca adivinharia.
Quando a criança estiver insatisfeita com um desenho, resista ao "Não, está lindo!". Em vez disso, reconheça: "Você queria que as pernas ficassem diferentes. O que você mudaria?" Depois deixe que ela tente de novo numa folha nova, ou transforme o "erro" em outra coisa. Uma mancha pode virar um arbusto. Uma linha tremida pode virar um rio.
Dos 7 aos 10 anos: os próximos passos
Crianças maiores que já fizeram bastante desenho com formas estão prontas para algumas técnicas de verdade. Escolha uma de cada vez.
Olhe antes de desenhar. Coloque um objeto na mesa (uma caneca, um sapato, uma maçã) e peça para a criança olhar para ele por um minuto inteiro antes de desenhar. Depois ela desenha olhando mais para o objeto do que para o papel. Isso é desenho de observação, a base de toda arte realista.
Linhas leves primeiro. Ensine a esboçar as formas de leve e depois reforçar as linhas que quer manter. Isso resolve o problema do "errei e estragou tudo".
Proporção com medidas simples. A cabeça de um adulto cabe mais ou menos sete vezes na altura total do corpo (a de uma criança pequena, mais umas quatro ou cinco). Os olhos ficam mais ou menos no meio da cabeça, e não perto do topo, como a maioria das crianças desenha. Só esses dois fatos já transformam os desenhos de pessoas.
Sombreado. Sombreie uma maçã: escuro do lado oposto à luz, mais claro do lado da luz, com um pontinho branco sem pintar para o brilho. Apertar mais ou menos com um único lápis já basta.
Aulas maiores. Desenhos passo a passo mais complexos, com sete ou oito etapas, como um dragão ou um castelo, dão às crianças maiores um desafio gostoso e truques novos para os próprios desenhos.
Criando o hábito de desenhar
Você não precisa de materiais sofisticados. Uma pilha de papel sulfite, alguns lápis macios, uma caneta preta de ponta fina e algo para colorir duram meses. Um caderno de desenho baratinho que seja da criança, guardado num lugar que ela alcance, faz mais pelo hábito do que qualquer aula. Coloque a data nas páginas e, daqui a seis meses, olhem juntos o quanto mudou.
Desenhar e colorir combinam bem; nosso artigo sobre os benefícios de colorir explica como um complementa o outro. E se o seu filho menor ainda está desenvolvendo o controle básico do lápis, comece pelo nosso guia de habilidades de pré-escrita.
Neste fim de semana, coloque duas folhas e dois lápis na mesa, escolha a aula do peixe e desenhem lado a lado. Deixe a criança decidir que padrão vai nas escamas.
Perguntas frequentes
O que uma criança deve aprender a desenhar primeiro?
Comece por coisas feitas de uma ou duas formas básicas, como um peixe (um oval e um triângulo), um sol, uma casa (um quadrado e um triângulo) ou o rosto de um gato (um círculo e dois triângulos). O sucesso logo no começo importa mais do que o tema.
Tudo bem usar aulas de desenho passo a passo, ou isso mata a criatividade?
As aulas passo a passo ensinam a dividir os objetos em formas, e a criança depois usa isso nos próprios desenhos. Equilibre com desenho livre e incentive a criança a mudar a aula, acrescentando chapéus, fundos ou outros personagens.
Meu filho diz "eu não sei desenhar". O que faço?
Não discuta nem tente consolar com "Sabe, sim!". Experimente uma aula bem curta com resultado garantido e depois aponte uma coisa específica que deu certo, como "Os olhos da sua coruja ficaram bem redondinhos." Pequenos sucessos de verdade reconstroem a confiança mais rápido do que elogios.
Com que frequência a criança deve praticar desenho?
Algumas sessões curtas por semana, de dez a quinze minutos, bastam. Um caderno de desenho sempre ao alcance da criança também incentiva muitos desenhos pequenos e espontâneos.
Atividades usadas neste artigo
Equipe editorial da Crayonbird
Redatores, ilustradores e educadores
Somos a pequena equipe que escreve, desenha e testa as atividades da Crayonbird. Experimentamos cada ideia com nossas próprias atividades, damos conselhos práticos e honestos sobre o que não funciona e indicamos fontes oficiais quando faz diferença. Nada neste blog é patrocinado.
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